Plauto Cardoso
O ex-presidente Lula, no auge das denúncias de diversas CPIs disse: “Neste país está para nascer alguém que venha discutir ética comigo”. O Ministro Marco Aurélio Mello afirmou, na mesma época que o Brasil atravessava um fosso moral e ético e se tornara uma terra do faz-de-conta. “Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados não sabiam”.
Segundo Norberto Bobbio, a Política e a Moral que deveriam andar juntas, movem-se no âmbito de dois sistemas éticos diferentes e contrapostos. A ética da convicção usada no julgamento de ações individuais e a ética da responsabilidade para julgar ações de grupos. Esta pode ser usada por indivíduos em nome de grupos, de nação, de igreja, partido e outros.
Os dois pronunciamentos, decorridos já alguns anos, mostravam claramente que, na visão dos poderes, Executivo e Judiciário, a Política e a Moral continuam se movendo em sistemas contrapostos. Separando uma da outra, está o fosso citado pelo Ministro Marco Aurélio.
No último Sete de Setembro, o país teve notícia que um grupo de jovens e adultos levou à Brasília e outras cidades do país com destaque para as capitais dos Estados, um movimento denominado Marcha contra a Corrupção, clamando por uma faxina ética cujo alvo é, essencialmente, a classe política, cuja reputação vai de mal a pior diante dos recentes escândalos de corrupção como os ocorridos nos Ministérios da Agricultura, dos Transportes, do Turismo e outros.
Todavia, conforme nos alerta o professor de ética da Unicamp Roberto Romano existe uma distância imensa entre gritar contra a corrupção e acabar com ela.
A Presidenta Dilma em recente entrevista para o programa Fantástico da Rede Globo disse que a corrupção é endêmica no país e um dos maiores dissabores da função presidencial é lidar com o problema.
O professor de ética da Unicamp Roberto Romano afirmou que existe uma distância imensa entre gritar contra a corrupção e acabar com ela.
Parece exatamente que esta distância corresponde ao fosso moral e ético a que se referiu o Ministro Marco Aurélio; em outras palavras, não existe vontade política para transpor este obstáculo e assim, não se conseguira acabar com a corrupção vigente em todos os níveis da vida nacional.
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