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Crônicas do Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  28/11/2011 às 15h06
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O tempo passa e nós, nele
Amigos, em data de 03 de setembro de 2011, sábado atrasado, eu tive a honra de receber uma homenagem simbolizada numa placa muito bonita...

28/11/2011 às 15h06

Geraldo dos Santos Pires – Santão

geraldo.santao@yahoo.com.br

Amigos, em data de 03 de setembro de 2011, sábado atrasado, eu tive a honra de receber uma homenagem simbolizada numa placa muito bonita, entre uma bela foto da praça principal de nossa cidade, focalizando ao mesmo tempo o coreto, a Igreja Matriz e o belo verde do jardim. Na placa, o texto: NOITE DE GALA IX — O IMPARCIAL – 115 ANOS — a homenagem e o reconhecimento de O IMPARCIAL ao cronista Geraldo dos Santos Pires (Santão) pelos 50 anos de dedicação ao jornalismo da “Cidade Sedução” (1962-2012).

                Na mesma oportunidade outro cronista, Antonio Carlos dos Reis, um exemplo para nós, que viemos depois dele, recebeu a mesma homenagem, porém, acho que ele começou um ano mais cedo (1961). Depois eu explico.

                Bem, eu não sei o sentimento dele e nem como ele recebeu este belo troféu, mas a mim, a mim me tocou profundamente! Ora, cinquenta anos não são cinquenta dias! De mais a mais, a História só se deixa analisar na posteridade. Hoje somos simples seres mortais, ainda fazendo os nossos rabiscos literários, mas O Imparcial e a História glorificaram-nos para viver tempo afora, depois da nossa vida na terra, onde os anos não mais importarão, mas as nossas memórias, se tivermos sido bons, atravessarão séculos.

                A propósito do “se tivermos sido bons”, como acima citei, hoje eu lia um artigo de Frei Beto, algo que ele chamou de “A arte de desaprender”. Um achado, o artigo dele. Ele diz que assim como aprendemos milhões de coisas, temos que ter discernimento para descartar (ele disse desaprender) milhões também de besteiras, inutilidades... Disse até que assim como há escolas para aprender, deveria também haver escolas para desaprender. Quantas coisas que jamais nos acrescentaram nada em nosso saber. Eu falei ”saber”? É que eu me lembrei da sabedoria do Frei Beto, assim como não me canso, aqui mesmo, de repetir incansavelmente a sabedoria de Confúcio, sua Doutrina, a Mediania. Cultura qualquer um pode ter, basta ler até se fartar; mas eu quero ver é a Sabedoria. Entre o sábio e o culto há uma diferença abismal. A bem da verdade e da felicidade, muita coisa deveríamos desaprender. Nada nos acrescenta e ainda nos faz mal. A propósito, eu sou um sujeito de sorte: no princípio, bastava que me dissessem um livro da moda, lá estava eu comprando. Depois, não por sabedoria, acredito, mas por uma questão de simples raciocínio, comprei uma coleção chamada “Os grandes pensadores” e duas enciclopédias. Só. O resto são dicionários. Dos grandes pensadores pude ver Maquiavel, Rousseau, Adorno, Aristóteles, Platão, Bacon, Descartes, Sartre... Nessas feras é que eu pude aprender o que não se pode jogar fora. Modismo é para gente superficial.

                Mas, voltando lá em cima onde eu disse que explicava depois, dá-se o seguinte: Na verdade, se eu comecei em 1962, faltam ainda alguns meses para inteirar os 50 anos. Então, fica parecendo que (porque lá na placa condecorativa está escrito: 1962-2012), eu recebi a homenagem antes um pouquinho da hora. Será que a Carmen Lúcia ficou com medo de eu morrer antes de 2012? Bom, é uma das probabilidades, né? (hoje ela vai me matar por isso!). Já o Antonio Carlos, com ele a contagem foi certa. Olhem: por falar em coisas que devemos desaprender, essas bobagens que estou escrevendo agora é uma delas. Maaaaas, para dizer a pura verdade, eu até gostei, porque, mesmo que eu não queira e nem o destino também, agora eu não posso morrer antes de 2012. Pelo menos é o que me prometeu a placa. E nem também me interessa saber o porquê de tudo isso: escreveu, tem de cumprir.

                A propósito, e para vocês verem como eu leio pouco os modismos, há coisa de dez anos ou menos, a diretora, Carmen Lúcia, me disse assim: tem um escritor famoso cujo estilo é muito  parecido com o seu. Chama-se João Ubaldo Ribeiro, você já leu? “Não me lembro”— falei até meio sem graça, por não conhecer um escritor com estilo parecido com o meu. Já pensou que honra? Aí ela me deu um livro dele “A Arte de Roubar Galinhas”. Achei formidável! Parece mesmo. Só que o cara escreve mil vezes melhor do que eu. Nós temos algumas coisas em comum, mas o João é infinitamente superior. Daí em diante me interessei por tudo dele. De uns tempos para cá ele começou a escrever crônicas (o homem é um fenômeno) aos domingos no O Globo. Mas aí veio uma das maiores decepções: ele começou a meter o pau no Lula. Foi naquela época em que todo mundo na Rede Globo parecia ser obrigado a baixar o pau no Lula e botar o Serra no céu. Mas o danado do João Ubaldo escreve tão bem que, mesmo me atazanando, aos domingos eu vou lá e compro O Globo para ler assim mesmo. Leio ele, a Martha Medeiros (boa cronista) e jogo o resto fora. Agora, como parte da tática da Globo, todos os empregados parecem obrigados a pensar do mesmo jeitinho. É fácil demais, para qualquer inteligência mediana, constatar que há outro complô, como aquele em que o Lula era presidente e elegeu a Dilma apesar da outra, da Globo. Entre uma espada e outra espada, eles (a Global, de novo) resolveram não atazanar a Dilma e até fazer certos elogios (muito comedidos, claro) para ela, e continuam metendo o pau no Lula. Por quê? Por medo dele. Morrem de medo de ele voltar em 2014. E tem que ter medo mesmo, porque, lá fora, onde a imprensa fala o que vê e não o que PRECISA VER, como aqui, o nosso Lula continua lá sendo um sábio e não apenas um sabido, como querem os mesmos que fizeram do Brasil um brasilzinho durante 500 anos. Estão aí os 511 anos do Brasil: só não vê, de um lado, os que interessam que o dinheiro fique nas mãos de uns poucos; de outro lado, umas pessoas sem informação e sem formação, que ouvem uma mentira, acreditam nela, e saem contando para a frente o que ouviram dos vigaristas da política que querem de novo o poder. Mas estas perguntas servem de orientação para qualquer um: - Você prefere o Brasil dos últimos 10 anos? Este é o Brasil construído por Lula e Dilma; mas se você quer o Brasil de 1 a 500 anos, antes do Lula? Então escolha outros candidatos. O Brasilzão é de 203 pra cá. E você sabe que é.

P.S. Indispensável: A minha gratidão às primas Delma Pires e Lúcia Pires, que me incentivaram e praticamente me fizeram começar a escrever; devo à Márcia Saraiva, colunista social daquela época, a publicação de minha primeira crônica, “O PATRIMÔNIO DE NINGUÉM”, em 1962.

 

N. da R.: Meu caro Santão, para seu esclarecimento e de todos os leitores, a diretoria do jornal jamais se perdoria se dentre os cronistas mais antigos você não estivesse incluído na lista dos homenageados de nossa “Noite de Gala IX” (talvez a última sob o nosso comando). Os 4 meses que faltam para completar suas Bodas de Ouro como exímio escritor já perfazem o tempo pelo seu recorde de textos e persistência em todas as edições de O IMPARCIAL nos últimos 15 anos. A data real registrada com antecipação trata-se de mera formalidade para ficar perpetuada nos anais da história da vida literária e da imprensa de nossa amada “Cidade Sedução"





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