geraldo.santao@yahoo.com.br
Amigos, acabei de descobrir que ninguém precisa ficar com inveja de escritor. Qualquer um, mas qualquer um mesmo, que quiser usar um tal de Google da internet, vai lá e copia o que ele achar mais bonito ou mais de acordo ou mais apropriado para o que ele quer, copia com as vírgulas e pontos e pontos e vírgulas e, passando-se como verdadeiro autor, acaba fazendo sucesso com o pau dos outros e vira escritor, tudo na maior cara de pau. “Googulense” é uma expressão maluca que cunhei agora para justificar a figura do “escritor”, cujo poder de criação e o estilo, ele os encontra prontos na internet, no Google. Copia tudo (até os erros), depois assina embaixo como se fosse o autor. Um dia desses encontrei, não só uma frase, uma oração, mas um período inteiro que a pessoa copiou do Google como de sua autoria. Ora, não custaria nada usar aspas, ficaria mais de acordo com os bons costumes, o caráter... Por aí. Pelo menos. Desculpem-me parecer professoral, quando não sou — eu sei que pode acontecer um plágio não intencional —, mas o que eu vi é estelionato mesmo.
Aliás, o Google deve estar criando uma geração de escritores que é preciso tomar muito cuidado com eles, porque, em si mesmos, eles já são uma fraude. E o que é fraude? É agir de má-fé, é enganar, fazer alguém acreditar em algo que não é verdadeiro. Pior de tudo: deveria ser um problema da consciência de cada um, mas que consciência tem um fraudador?
Bem, mas ainda não é o fim do mundo, o Google, quando usado com boas razões é um instrumento fantástico para qualquer um de nós, que precisa pesquisar ou apenas satisfazer sua curiosidade. Imagine você que, sem mais sem menos, veio-me à cabeça essa "musiquinha" antiiiiiiga “Vem cá, Bitu”, que já nem sei mais há quantos anos não vejo ninguém cantá-la, mas essas coisas são assim mesmo: sem mais sem menos pinta aquilo na nossa cabeça e começamos a cantar, mas logo logo nós percebemos que não sabemos mais a letra... Ficou lá na saudade... Ah, que pena: queria cantar para minha neta, Isabela, ela sabe tantas músicas, mas esta, garanto, ela não sabe, essa é velha que só Deus sabe. Só Deus, não, o Google também sabe. O Google é danado...
Fui à internet, digitei o nome da música. Sabe quantas informações ela me deu para “Vem cá, Bitu”? Nada menos do que 115.000! Esse negócio de internet é uma loucura! O pessoal mais velho não sabe o que está perdendo... Foi lá que eu descobri — veja só que interessante — que a melodia de “Vem cá, Bitu /Vem cá, Bitu/ Vem cá, meu bem, vem cá/Não vou lá/ não vou lá, não vou lá/ tenho medo de apanhar!...” Pois foi aqui que descobri que a melodia é a mesma da outra "musiquinha”’ também antiiiiiga, mas com outra letra, quer ver? Cante, então: Cai, cai, balão/ cai, cai, balão/na rua do sabão/Não cai não/Não cai não/Não cai não/ Cai aqui na minha mão... (A música é a mesma, as letras é que são diferentes). Isto vem provar que o Google sabe tudo, tudo, tudo... Quase tudo. Se bestar, sabe até quanto você tem na conta lá no banco. Ou sabe quantas cuecas, quantas calcinhas e quais as cores você tem no guarda-roupa... Eu estou avisando: o Google sabe tudo que a gente faz. Vejamos, assim, uma coisa que vem acontecendo no ensino brasileiro e com a ajuda do Google:
Antes, porém, o País não deve descabelar-se desesperado por estarem, aos milhares, nascendo escritores que não têm pedigree para sequer escrever um e-mail, um bilhete, e estão lançando livros. Prejuízo dos grandes é o que vem acontecendo com o Desensino Brasileiro. O fato é que estou cansado de ligar a televisão e ver entrevistas as mais diversas e com os expoentes máximos responsáveis pelo Ensino no País. Falam disso, falam daquilo, falam de salários péssimos como causa do mau ensino, falam dos professores — a essas alturas, todos formados por péssimas escolas e, como não poderia deixar de ser, são péssimos professores — mas não vejo ninguém falar de como, então, esses alunos pessimamente formados no ensino fundamental, passam de ano e chegam lá para fazer o papel triste de abrir a prova e não saber nada, bulhufas, do que se pede nas provas, sejam de ENEM ou que outro tipo qualquer seja.
Pois pela segunda ou terceira vez vou denunciar aqui: Você nem sabe disso, mas o professor, para mostrar que aplica o programa, passa o dever de casa, sempre uma pesquisa. Outro dia, como me contaram, a pesquisa era sobre o processo da vinda dos escravos para o Brasil. Então, vamos lá: 1)- O professor, no seu registro, pediu e pode então provar que está ensinando; 2) O aluno anota o tema, vai a uma Lan House e pede ao funcionário para fazer uma pesquisa sobre a vinda dos escravos para o Brasil, como foi esse processo, etc. Paga R$2,00 ou R$5,00 ou mais um pouco (depende da pesquisa, que quase sempre requer conhecimento ao menos razoável do pesquisador (a essa altura o pesquisador não será o aluno, será o dono da Lan House que, vejam bem, não tem nada para aprender e nem vai fazer vestibular mas, curiosamente, os funcionários que prestam este serviço estão ficando bambas. Já os alunos, nem sabem por onde passou o tráfico de escravos. 3)- O aluno leva e entrega para o professor a sua pesquisa arrumadinha, às vezes até com arte gráfica... Uma lindeza! E aí? Ora, dever pedido, dever feito, dever entregue.
Foi aí que o rapaz da Lan House, o que fez a pesquisa sobre os negros escravos, resolve perguntar ao aluno que, por sinal, era um negro, se ele iria pelo menos ler o trabalho, para o caso de o professor perguntar, arguir... Ao que ele prontamente respondeu: “Não, não, não... Precisa não. Ele nem vai ler isso. Nunca leu”.
Meu Deus! Este é o legítimo “Ensino Brasileiro”: O professor finge que ensina, o aluno finge que estuda e aprende... Ora, mas onde estão, a essas horas, os órgãos fiscalizadores? Será que eles sabem que é isto que está acontecendo? Já sei: devem estar reunidos, a esta hora, discutindo na frente das câmeras de TV, pra inglês ver, como se faz para consertar: professores analfabetos, enganadores, justamente mal pagos; alunos enganados, aprendizes de enganação, condenados à reprovação ou às escolas sem valor, sem moral, sem cabedal, mas que podem — que absurdo! — entregar diplomas. Engraçado é que, nas TVs, não vejo ninguém falar sobre esse processo de pesquisa condenável inútil: Nem o aluno nem o professor, ninguém lê a pesquisa, só quem a fez e que, claro, nada tem a ver!... Façam toda e qualquer pesquisa, porque é assim mesmo que se aprende, mas — pelo amor de Deus! — leiam, pelo menos (o professor e o aluno) a pesquisa! Como formar caráter desse jeito?