O painel de abertura do 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária Ambiental, realizado na manhã de 26 de setembro p. p., no Teatro do SESI, apresentou diversos exemplos de investimentos realizados pelo poder público e pela iniciativa privada na área de saneamento e abastecimento.
Coordenado pela presidente da ABES, Cassilda Teixeira, o painel "Universalização do Saneamento: Desafios e Soluções para o Setor" foi aberto com a fala do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que elogiou a iniciativa do Congresso de reunir projetos e soluções para o saneamento em busca da universalização. "A gestão privada tem plenas condições de apresentar soluções para a gestão pública", disse. Tarso também destacou ser dever do Estado dar condições para que as empresas privadas possam cumprir com sua função social. "Os objetivos focados no lucro não afastam a empresa privada do Estado, pelo contrário, pois é a viabilidade de investimento que vai possibilitar a estas empresas cumprir sua função social", ponderou.
Já o Ministro das Cidades, Mário Negromonte, lembrou que o Congresso resgata uma dívida histórica do Governo Federal com o saneamento. "Um projeto bem feito já é metade do caminho andado para que as coisas saiam do papel. Estamos tentando diminuir a burocracia na aprovação de iniciativas privadas, que prejudicam principalmente os pequenos municípios", ressaltou. O esforço conjunto entre as esferas municipal, estadual e federal em torno do Plano de Aceleração do Crescimento também foi exaltado por Negromonte. "Esta união tem ajudado na aceleração de obras e projetos de saneamento, para os quais estão previstos investimentos de R$ 40 milhões".
Ao trazer os primeiros "cases" do dia, o Prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, apresentou dados gerais sobre as obras do Projeto Socioambiental da Cidade (PISA) e do Sistema de Esgotamento Sanitário do Bairro Sarandi, que juntos devem elevar os índices de esgoto tratado dos atuais 27% para 80% até 2014. "Porto Alegre será uma das únicas capitais do Mundo a cumprir as metas do milênio antes do prazo", celebrou o prefeito.
No entanto, para que os projetos avancem na área de saneamento, é preciso vencer alguns entraves no campo político. Ao menos é o que pensa o Diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Elvio Gaspar. "É preciso reconstruir o pacto entre governos Estaduais e Municipais. Não é possível que a discussão sobre quem deve aparecer nas obras ainda possa paralisar alguns processos deste setor", enfatizou.
Também participaram do painel o presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA, Ricardo Augusto Simões Campos; a presidente da SABESP, Dilma Seli Pena; e o presidente da FUNASA, Gilson de Carvalho Queiroz Filho.
Excelência em Gestão
A falta de saneamento ainda atinge, direta ou indiretamente, 700 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a presidente seção gaúcha da ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, entidade promotora do evento, Nanci Benigni Giugno, é necessário gerar soluções para esta parcela da população e para a preservação do meio ambiente. "Enquanto pessoas sofrem com a falta de água e esgoto em alguns lugares do Brasil, em outros estamos habituados a um desperdício quase criminoso. E isto só se muda se mudarmos o pensamento e a forma de agir, que são questões culturais", defende.
Por isto, o tema central do Congresso foca na "excelência da gestão como caminho para a universalização". Painéis e expositores vão apresentar as últimas tecnologias e soluções nas áreas de abastecimento, esgoto, drenagem e resíduos sólidos, além de evidenciar a necessidade de investimentos em outras áreas como saúde e educação. A programação completa do 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental está disponível no site da ABES (www.abes-dn.org.br).
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