Sob o lema “Deixe sua marca, multiplique vidas”, a Campanha Nacional de Doação de Órgãos, promovida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), pretende mobilizar todo o País para a importância de ser um doador e salvar pessoas, pois, embora o último levantamento divulgado, em março deste ano, apresente um novo recorde de doações de órgãos e crescimento sustentado de transplantes, de 14% em um ano, ainda é preciso conscientizar e sensibilizar um maior número de pessoas para a relevância deste gesto, já que o número de pacientes à espera de um transplante ainda é grande.
“A doação é um ato de solidariedade e cidadania. Um único doador tem a possibilidade de salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, incluindo da própria família, e a informação é a melhor amiga da doação”, destaca Valter Duro Garcia, membro do Conselho Consultivo da ABTO. A falta de conhecimento e os mitos que cercam o tema são os grandes inimigos que impedem um melhor resultado das campanhas pelas doações e isso se revela em números. Segundo dados da entidade levantados junto às famílias dos pacientes, 52% delas ainda se recusam a doar um órgão do seu corpo, ainda que seja para um parente. As ações de mobilização são organizadas por coordenações estaduais de transplante, hospitais, clínicas e outras organizações relacionadas, que distribuem materiais informativos produzidos pela ABTO e promovem atividades educacionais, esportivas e culturais. A Associação escolheu o dia 27 de setembro para celebrar o Dia Nacional de Doação de Órgãos por ser o dia de São Cosme e São Damião, irmãos médicos que realizaram o primeiro transplante registrado pela história.
Queda de doações em SP
Balanço divulgado recentemente pela Secretaria de Estado da Saúde, baseado nos dados da Central de Transplantes, aponta uma queda de 5% no número de doadores de órgãos neste ano. Caiu, também, em 7,3%, o total de transplantes realizados no Estado, mas, mesmo assim, a taxa média de doadores paulistas por milhão de população é superior a países como Argentina, que tem uma quantidade semelhante de habitantes como São Paulo. Especialistas confiam na mudança deste quadro com a nova campanha “Deixe sua marca, multiplique vidas”, que começa hoje. O Brasil tem um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo, com 548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes autorizadas a realizar transplantes. O Sistema Nacional de Transplantes existe em 25 estados brasileiros, por meio das Centrais Estaduais de Transplantes. Para ser doador não é preciso fazer nenhum documento por escrito para comprovar sua vontade, basta conversar com a família e deixar bem claro o seu desejo. Conheça alguns detalhes importantes que podem ajudar em uma tomada de decisão favorável e benéfica a milhares de doentes que aguardam na fila de transplantes:
Órgãos que podem ser doados em vida
. Um dos rins;
. Parte do fígado (em torno de 70%);
. Parte do pulmão (apenas em situações excepcionais; e
. Medula óssea (quando compatível é feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue).
Para ser doador em vida é necessário
. Ser cidadão juridicamente capaz:
- Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
- Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
- Ter vontade de doar um órgão que seja duplo, como o rim, e este não impeça o organismo do doador continuar funcionando; ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante; e
- Ser parente de até quarto grau ou cônjuge do receptor. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.
Órgãos que podem ser doados após comprovação de morte encefálica
. Córneas - retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias;
. Coração – retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, seis horas;
. Pulmões – retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por, no máximo, seis horas;
. Rins – retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até 48 horas;
. Fígado – retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas;
. Pâncreas – retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo 24 horas;
. Ossos – retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos;
Outros órgãos que podem ser doados: Intestino; Cartilagem; Tendão; Veias; Pele; e Válvulas Cardíacas.
Quem não pode doar
. Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
. Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivo para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contraindicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados;
. Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; e
. Pessoas com tumores malignos – com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero – e doenças degenerativas crônicas.
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