Fazer parte do time que trabalha nas obras de modernização do Mineirão representa um marco histórico no currículo de todo operário que hoje se dedica à entrega do estádio em dezembro de 2012. Isso porque o modelo de organização no qual estão inseridos está baseado em critérios de humanização. Nesse canteiro, o operário pode se alfabetizar, sua alimentação é balanceada, sua capacitação é pensada e, caso seja detento, terá direito a um salário mínimo integral. São benefícios que demonstram um compromisso com o futuro de quem prepara um dos principais palcos da Copa do Mundo de 2014.
O supervisor de tubulão Darvisson Barra da Silva, 20 anos, é exemplo desse processo. “O mais importante foi ter aprendido a salvar vidas”, diz o jovem sobre o treinamento recebido. Para o secretário Extraordinário da Copa, Sérgio Barroso, trata-se de uma obrigação conduzir os negócios por meio de um comportamento humanizado, que contribua para o desenvolvimento econômico e social. “Estamos contribuindo para esse processo de transformação e inclusão social do país ao oferecer dignidade a indivíduos que estão lá na base da pirâmide, através de iniciativas que resultarão um legado muito valioso a todos eles”, defende. Há, pelo menos, cinco exemplos que podem ilustrar essa agenda de responsabilidade social firmada entre o Governo de Minas Gerais e o consórcio Minas Arena, que realiza as obras.
Educação. Atualmente, cerca de 30 alunos frequentam aulas diárias do Curso de Alfabetização oferecido pelo consórcio Minas Arena. As aulas acontecem de segunda à quinta-feira, das 17h30 às 19h30. Eles recebem material escolar completo, o que inclui cartilhas, livros, cadernos, lápis, borracha e carteirinha de estudante válida em todo o território nacional. Antes das aulas, um lanche é servido para a turma. A professora da rede pública Danusa Campos diz ter orgulho em alfabetizar adultos, principalmente quando estão motivados. “A sensação de fazer esse trabalho é a melhor possível, pois os alunos estão realmente interessados em aprender. Estamos lidando com inclusão social, algo muito importante e que me dá muito prazer”, conta Danusa. Com a obra, dezenas de operários passaram a ter a chance de receber educação formal.
Treinamento. Todo operário que trabalha na obra recebe treinamento específico para a atividade a ser desempenhada. Cada função tem sua capacitação correspondente. O cumprimento das normas de segurança, qualidade e sustentabilidade - em concordância com as exigências das certificações ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS - contribuem para a minimização de riscos e padronização de todo o sistema de trabalho.
Darvisson, supervisor de tubulão, recebeu 14 horas de treinamento padrão e mais 40 horas de capacitação específica para o trabalho em espaços confinados. Sua função na obra é verificar se há presença de gases em escavações profundas e garantir a segurança dos operários. “Passei a ter outra visão sobre segurança do trabalho. O que aprendi aqui vai servir para sempre. Agora sei trabalhar como deve, sei lidar com a vida do outro e resgatar companheiros, no caso de uma emergência”, atesta. Darvisson recebeu aulas que incluíam temas como qualidade do serviço, primeiros socorros e medição de gases.
Alimentação. A tarefa da nutricionista da empresa contratada para fornecer a alimentação dos operários que trabalham no Mineirão, Anna Paula Araújo, é montar um cardápio que leve em consideração o alto gasto calórico característico de atividades da construção civil. “Temos que ter em mente que a dieta do pessoal que trabalha utilizando grande esforço físico é diferente da daqueles que passam o dia inteiro no escritório”, explica Anna. Portanto, quatro tipos de salada (folhas e leguminosas), pratos proteicos (carne de boi, de porco ou de frango), os tradicionais arroz e feijão, suco e sobremesa estão sempre garantidos no menu desses trabalhadores.
Vários operários vêm de outros estados, o que acaba sendo mais um desafio para a nutricionista. “Na medida do possível, e seguindo o nosso padrão de qualidade, conseguimos atender e adequar a alimentação a todos os gostos”, conta. Um deles é o carpinteiro Antônio Marcos Carvalho de Souza, que veio direto do Piauí para trabalhar no Mineirão. Mais que adaptado, Antônio está se deleitando com o tempero mineiro. “No geral a comida é boa, mas eu prefiro a bisteca de porco e a feijoada”, diz o carpinteiro.
Detentos. Atualmente, 20 detentos do sistema prisional de Minas Gerais trabalham nas obras do Mineirão. A contratação se deu por meio da parceria firmada entre a Secretaria de Estado de Defesa Social e a empresa Minas Arena. Os presos, que cumprem pena em regime semi-aberto, receberam curso de capacitação para atuarem como eletricistas, carpinteiros, serventes de obra e outras tarefas ligadas à construção civil. O secretário de Estado Extraordinário da Copa do Mundo, Sergio Barroso, destaca que “apesar de a lei mandar pagar 3/4 de um salário mínimo aos detentos, no Mineirão eles estão ganhando o salário integral”. A Lei Estadual 18.725/11, que regulamenta a contratação de mão de obra carcerária, prevê a reserva por parte de empresa vencedora de licitação de obra pública de até 10% das vagas de emprego para detentos.
Mulheres. Dos cerca de 1.000 operários que trabalham para erguer o novo Mineirão, mais de 100 são mulheres. A mão de obra feminina está presente principalmente no setor de perfuração de tubulões - tipo de fundação que consiste em um poço escavado revestido de concreto armado - onde as supervisoras fiscalizam o trabalho dos escavadores e armadores. A inclusão de mulheres nesse mercado de trabalho, predominantemente masculino, responde ao compromisso do Estado com a redução de desigualdades sociais.
Identificação de fotos: hora de almoço no canteiro; sala do curso de alfabetização e operários recebem treinamento de primeiros socorros.
Crédito: Sylvio Coutinho/Divulgação
Assessoria de Comunicação - Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa)