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Cartas Brasilienses
Postada por:  Roberto Nogueira,  em  06/08/2011 às 21h56
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Onde isso vai dar
Tudo agora é politicamente incorreto.

06/08/2011 às 21h56

Tudo agora é politicamente incorreto. Acabou-se o tempo da espontaneidade. Há que se pensar dez vezes antes de falar e escrever, sob pena de um dos milhões de advogados que existem por ai, ONGs, Ministério Público, Sindicatos, etc. abrir um processo de assédio moral, perdas e danos e tudo mais que possa render alguma coisa ao ofendido e, especialmente, ao advogado do ofendido. O “ofendido” às vezes nem se ofende, mas alguém se ofende por ele.

            Dias desses escrevi – lembrando-me do meu Karmann Ghia 72 - que sou do tempo em que pardal era só um pássaro, cadeira de bebê era colo de mãe e lombada eu sabia o que era, mas tinha pouca prática. A frase estava dentro de um contexto que se repetir toma o meu espaço.

Insinuaram que fui politicamente incorreto, que é preciso ter regras contra a violência do trânsito, que a obrigação de usar cadeirinha para bebê não é para satisfazer a indústria que as fabrica, e que os pardais e lombadas são absolutamente necessários, mesmo privatizados e rendendo boa comissão aos podres poderes.

A conduta ao volante da minha geração era politicamente incorreta e eu não sabia. No entanto, até onde eu sei, todos se tornaram homens de bem, seja lá o que isso significar. Há sempre aqueles que preferem ser homens de bens, e isso nós sabemos o que significa.

Dia desses recebi um email com uma lista de maus exemplos que algumas gerações, inclusive a minha, assistia na TV. E nenhum dos exemplos que estão na lista mudou o nosso caráter, a nossa educação e o nosso comportamento, porque educar, transmitir valores, tudo isso era prerrogativa da família. Sou do tempo do Karmann Ghia 72 e do tempo em que as famílias eram compostas de um pai, uma mãe, alguns filhos, avós e avôs, tios e tias, primos e primas e por que não dizer até cunhadas e cunhados.

Antes que eu me esqueça, vamos à lista das “barbaridades” que assistíamos na televisão: O Tarzan corria pelado. A Cinderela chegava em casa à meia noite. Aladim era ladrão. Batman dirigia a 320 km/h. Pinocchio mentia. Salsicha (Scooby-Do) tinha voz de maconheiro, via fantasma e conversava com cachorro. Zé Colmeia e Catatau eram cleptomaníacos e roubavam cestas de pic-nic. Olívia palito já tinha bulimia. Popeye fumava um matinho suspeito. O Super Homem usava cueca por cima da calça. A Margarida namorava o Pato Donald e saía com o Gastão. E a Branca de Neve... quem diria, dormia com sete anões na mesma cama.

Não sei quem fez essa lista. Só sei que nenhum desses exemplos entortou o caráter da minha geração e da geração de minhas filhas. O certo é que tudo isso faz menos mal que assistir aos programas gratuitos dos partidos políticos.

Muito cuidado com o “politicamente correto”, novo nome da falsa moral. 






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