Tudo
agora é politicamente incorreto. Acabou-se o tempo da espontaneidade. Há que se
pensar dez vezes antes de falar e escrever, sob pena de um dos milhões de
advogados que existem por ai, ONGs, Ministério Público, Sindicatos, etc. abrir
um processo de assédio moral, perdas e danos e tudo mais que possa render
alguma coisa ao ofendido e, especialmente, ao advogado do ofendido. O
“ofendido” às vezes nem se ofende, mas alguém se ofende por ele.
Dias desses escrevi – lembrando-me
do meu Karmann Ghia 72 - que sou do tempo em que pardal era só um pássaro,
cadeira de bebê era colo de mãe e lombada eu sabia o que era, mas tinha pouca
prática. A frase estava dentro de um contexto que se repetir toma o meu espaço.
Insinuaram que fui politicamente incorreto, que é
preciso ter regras contra a violência do trânsito, que a obrigação de usar
cadeirinha para bebê não é para satisfazer a indústria que as fabrica, e que os
pardais e lombadas são absolutamente necessários, mesmo privatizados e rendendo
boa comissão aos podres poderes.
A conduta ao volante da minha geração era
politicamente incorreta e eu não sabia. No entanto, até onde eu sei, todos se
tornaram homens de bem, seja lá o que isso significar. Há sempre aqueles que
preferem ser homens de bens, e isso nós sabemos o que significa.
Dia desses recebi um email com uma lista de maus
exemplos que algumas gerações, inclusive a minha, assistia na TV. E nenhum dos
exemplos que estão na lista mudou o nosso caráter, a nossa educação e o nosso
comportamento, porque educar, transmitir valores, tudo isso era prerrogativa da
família. Sou do tempo do Karmann Ghia 72 e do tempo em que as famílias eram
compostas de um pai, uma mãe, alguns filhos, avós e avôs, tios e tias, primos e
primas e por que não dizer até cunhadas e cunhados.
Antes que eu me esqueça, vamos à lista das
“barbaridades” que assistíamos na televisão: O Tarzan corria pelado. A
Cinderela chegava em casa à meia noite. Aladim era ladrão. Batman dirigia a 320 km/h. Pinocchio
mentia. Salsicha (Scooby-Do) tinha voz de maconheiro, via fantasma e conversava
com cachorro. Zé Colmeia e Catatau eram cleptomaníacos e roubavam cestas de
pic-nic. Olívia palito já tinha bulimia. Popeye fumava um matinho suspeito. O
Super Homem usava cueca por cima da calça. A Margarida namorava o Pato Donald e
saía com o Gastão. E a Branca de Neve... quem diria, dormia com sete anões na
mesma cama.
Não sei quem fez essa lista. Só sei que nenhum desses
exemplos entortou o caráter da minha geração e da geração de minhas filhas. O
certo é que tudo isso faz menos mal que assistir aos programas gratuitos dos
partidos políticos.
Muito cuidado com o “politicamente correto”, novo nome da
falsa moral.