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Crônicas
Postada por:  Redação,  em  08/07/2011 às 22h24
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Quando o sabotador é você
É, caro amigo, você não está sozinho nessa: milhares de pessoas apresentam comportamentos como estes que caracterizam a autossabotagem, um mecanismo utilizado diante de situações específicas que podem acontecer em vários momentos de sua vida.

08/07/2011 às 22h24

Você segue à risca aquela dieta dificílima, desenvolve hábitos alimentares mais adequados e saudáveis, até que chega, enfim, ao peso ideal. Contudo, em momentos descontraídos e aos finais de semana, passa a exagerar nos alimentos calóricos, e volta à estaca zero. No trabalho, quando você percebe que está crescendo e tem a oportunidade de ocupar um cargo melhor, sem se dar conta, deixa de assumir alguns compromissos, começa a atrasar as atividades funcionais, horários e prazos. Pronto, lá se foi sua chance. Quando o assunto é relacionamento amoroso, você nunca está satisfeito. Trocou inúmeras vezes de parceiro, mas acaba sempre se relacionando com pessoas parecidas, mantendo relações semelhantes às do passado.

É, caro amigo, você não está sozinho nessa: milhares de pessoas apresentam comportamentos como estes que caracterizam a autossabotagem, um mecanismo utilizado diante de situações específicas que podem acontecer em vários momentos de sua vida.

A palavra sabotar tem origem francesa — sabot, que significa tamanco ou sapato feito de madeira. No século 19 os operários das ferrovias costumavam colocar seus sapatos entre as engrenagens para danificar as máquinas e impedir o percurso normal dos trens, como forma de protesto.

O comportamento de sabotar a si próprio pode estar relacionado à preocupação do indivíduo em ser aceito e compreendido pelos demais, ou à necessidade de reconhecimento e inserção no meio social e cultural. Mas, não é apenas isso. A psicóloga clínica do Hospital Amaral Carvalho, Viviane da Silva Clemente, explica que muitas vezes a pessoa se autossabota para não ter que enfrentar situações com as quais não consegue lidar normalmente. No entanto, essa “auto-proteção” é distorcida da realidade. “No caso da dieta, com frequência ela tem a lembrança de ouvir durante a sua vida que sempre seria gorda, por isso acredita que não vai ser diferente”, diz.

 

Sem querer, querendo

Como um ciclo de padrões de comportamento errôneos e muitas vezes destrutivos, que são apreendidos e elaborados como verdadeiros e que passam a ser repetidos no dia-a-dia, a autossabotagem torna-se automática. Sem ser percebida, acontece de maneira irracional e faz com que o sujeito se distancie dos demais e de seus objetivos, especialmente ao se deparar com possibilidades de mudança. “Não raro as pessoas burlam suas próprias conquistas e realizações para evitar o reconhecimento, qualquer tipo de crítica ou o confronto com a realidade”, salienta Viviane.

O motivo, segundo a psicóloga, é a dificuldade em desenvolver alguns recursos emocionais como segurança, confiança ou sentimento de capacidade, o que acaba gerando anseios conflituosos para o autossabotador.

 

Quando os sonhos se tornam pesadelos

Comportamentos e atitudes persistentes que dificultam a realização de algo ou que contribuem para o cultivo de sentimentos de pouca valia, inferioridade e incapacidade, são sinais de autoboicote. “A pessoa começa a perder oportunidades importantes, sofre e fica angustiada com isso. Esses sentimentos são tão intensos que o autossabotador não consegue mais ter satisfação com suas realizações, passa a acreditar que não pode mais ser feliz, desiste de seus sonhos e desejos”, pontua a psicóloga.

Viviane esclarece que a autossabotagem não é considerada uma doença, distúrbio ou transtorno e que o primeiro passo para sair desse ciclo vicioso é a reflexão: identificar os comportamentos repetitivos e prejudiciais. Não é tarefa fácil, mas dessa maneira o indivíduo consegue enxergar possibilidades de mudança e melhora. “Nesse contexto destaca-se a importância do autoconhecimento e avaliações frequentes das experiências profissionais e pessoais de cada um.”

Como uma espécie de alerta para algo que não vai bem em nossa vida, a autossabotagem pode até ser vista como um aspecto positivo. Como? Quando, sozinha, a pessoa consegue identificar e perceber os ciclos repetitivos e começa a quebrá-los, mudando suas ações. “Os conflitos existentes passam a ser facilitadores, e proporcionam realizações, autoafirmação, satisfação pessoal e felicidade”, pontua Viviane.  

No entanto, a psicóloga é enfática ao dizer que a partir do momento em que a autossabotagem passa a trazer prejuízos e conflitos, a ajuda de um profissional é imprescindível, pois significa que o sujeito não consegue mudar essa condição por si próprio.






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