- O mundo está menos pacífico pelo terceiro ano consecutivo, e a nova Primavera Árabe (Arab Spring) apresenta maiores mudanças na classificação.
- Líbia cai 83 lugares, maior queda da história do GPI.
- Islândia se recupera dos problemas econômicos e volta para o topo da classificação.
- Somália desbanca o Iraque e passa a ser a nação menos pacífica do mundo.
- Violência causa impacto de mais de $8,12 trilhões na economia mundial em 2010.
- O índice da Paz nos EUA apresenta mudanças mínimas.
A ameaça de ataques terroristas e a possibilidade de demonstrações violentas foram dois dos principais fatores (1) que fizeram com que o mundo fosse menos pacífico em 2011, de acordo com o mais recente Global Peace Index (GPI). Este é o terceiro ano consecutivo que o GPI, produzido pelo Institute for Economics and Peace (IEP - Instituto de Economia e Paz), mostra uma queda no nível da paz mundial. O impacto disso para a economia global foi de $8,12 trilhões no ano passado.
O GPI é a principal medida do nível de paz mundial. Ele avalia os conflitos domésticos e internacionais, a segurança na sociedade e a militarização em 153 países usando 23 indicadores diferentes.
O Índice de 2011 reflete dramaticamente o impacto na classificação nacional da Primavera Árabe ( Arab Spring). A Líbia (143) teve a queda mais significante - caiu 83 lugares, o Bahrein (123) caiu 51 lugares - a segunda maior margem, e o Egito (73) caiu 24 lugares. A agitação trazida pela instabilidade econômica também causou a queda do nível de paz na Grécia (65), Itália (45), Espanha (28), Portugal (17) e Irlanda (11).
"A queda do Índice deste ano está fortemente ligada aos conflitos entre cidadãos e governos, e as nações precisam encontrar novas maneiras de trazer estabilidade sem usar a força militar", disse Steve Killelea, fundador e Chairman Executivo do IEP. "Apesar de uma década gasta na guerra contra o terrorismo, o potencial de atos terroristas aumentou este ano, apagando o pequeno progresso alcançado nos anos anteriores".
Apesar de o nível geral de paz estar em baixa, os dados deste ano mostraram um aumento da paz em algumas áreas - principalmente os níveis de gastos militares e relações entre países vizinhos
"Há uma maior conscientização de que existe um ´dividendo de paz´ a ser alcançado. A nossa pesquisa identifica oito atitudes e estruturas sociais (2) necessárias para a criação de sociedades pacíficas, resistentes e socialmente sustentáveis", continua Killelea.
Pontos altos em todas as oito estruturas permitiram que a Islândia reconquistasse a sua posição no topo do Índice deste ano após cair de pontuação no ano passado depois de demonstrações violentas relativas ao colapso do sistema financeiro e da moeda do país. Altas pontuações das estruturas de governança também explicaram o porquê o Japão conseguiu manter sua posição na classificação - apesar do choque externo com o terremoto e o tsunami deste ano.
OUTROS DESTAQUES/RESULTADOS REGIONAIS
Se o mundo tivesse sido 25% mais pacífico no ano passado, a economia global teria alcançado um benefício econômico adicional de um pouco mais de US$2 trilhões. Esta quantia poderia pagar 2% do PIB global anual, investimento estimado pelo Stern Review (3) para evitar os piores efeitos da mudança climática, cobrir o custo do alcance dos Millennium Development Goals (Metas de Desenvolvimento do Milênio) (4), eliminar a dívida pública da Grécia, Portugal e Irlanda (5), e abordar o custo da reconstrução do desastre natural mais caro da história - o terremoto e o tsunami no Japão em 2011 (6).
A Islândia é a nação mais pacífica do mundo, seguida da Nova Zelândia, Japão, Dinamarca e República Checa. O Iraque (152) passou do último do Índice para o topo pela primeira vez.
A África Subsaariana continua sendo a região menos pacífica com 40% dos países menos pacíficos do mundo, com o Sudão (151) e a Somália (153) sendo os últimos do Índice.
Pelo quinto ano consecutivo, a Europa Ocidental foi a região mais pacífica com a maioria dos seus países entre os primeiros 20. Quatro países nórdicos ficaram entre os dez primeiros lugares, no entanto a Suécia caiu para o número 13 devido à sua indústria de armamentos e o volume de exportação de armas convencionais. A entrada para a União Europeia teve um impacto positivo nos membros relevantes da Europa Central e Europa Oriental, com a República Checa ficando entre os 10 primeiros lugares (quinto lugar) pela primeira vez e a Eslovênia subindo para o décimo lugar.
A América do Norte apresentou uma pequena melhora desde o ano passado. O Canadá (8) pulou seis lugares na classificação deste ano, enquanto que a classificação geral dos EUA (82) permaneceu inalterada, embora tenha subido do número de 85 para 82.