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Conversa ao Pé do Fogo
Postada por:  Redação,  em  24/06/2011 às 17h24
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HOMOFOBIA - CONVERSA AO PÉ DO FOGO
Antônio Carlos

24/06/2011 às 17h24

Meus caros leitores, vez por outra aparecem no Brasil manifestações de homofobia, como as que aconteceram com o jogador de vôlei Michael, atacante do Vôlei Futuro, vítima de manifestações preconceituosas de torcedores do Cruzeiro, em Contagem, na grande Belo Horizonte.

Lamentável, sob todos os aspectos, o comportamento de parte da torcida cruzeirense, ofendendo gravemente o referido jogador, gritando alto e bom som, “bicha”, “gay” e outras ofensas impublicáveis. E o que é pior, pela televisão, vimos mães e pais estimulando e incentivando seus filhos a engrossarem o coro ofensivo ao jogador, em demonstração de intolerância, preconceito, ignorância e péssima educação com um visitante. Observem os nossos leitores o mau exemplo que esses pais transmitiram aos filhos, os quais, ainda em fase formação, são influenciados por atos preconceituosos, estimulados por seus pais ou responsáveis. Daí à ofensa física é apenas um passo, como está acontecendo em São Paulo.

Entrevistado pelo jornal “Folha de São Paulo”, edição do dia 6 de abril passado, o jogador disse que se sentiu constrangido, pois foi a primeira vez que assistiu a um ginásio inteiro dirigindo-lhe ofensas pesadas, algumas das quais impublicáveis. Perguntado se já sofreu algum preconceito de colegas ou técnicos, respondeu que nunca isso ocorreu.

Nota zero para esta parcela da torcida do Cruzeiro e, felizmente, no jogo seguinte, no mesmo ginásio, a Prefeitura de Contagem colocou faixas, pedindo desculpas ao jogador, afirmando que a cidade não compactua com esta minoria de torcedores do Cruzeiro, intolerantes e, sobretudo, ignorantes.

Dentro desse mesmo tema, ainda recentemente, o deputado federal Jair Bolsonaro respondeu de forma ofensiva, intolerante e racista, a uma pergunta da cantora Preta Gil, que indagou como ele receberia a notícia de que um filho ou uma filha dele estivesse namorando um negro. Respondeu o deputado que isso não aconteceria, porque os seus filhos são muito bem educados e que não vivem no ambiente de promiscuidade como acontece com a entrevistadora e cantora.

Meus caros leitores, numa cajadada, o deputado ofendeu a Constituição Federal, o decoro parlamentar, as minorias negras e gays, além de demonstração de racismo, intolerância e preconceito.

Mas, partindo tais ofensas deste deputado, nenhuma surpresa, pois ele é useiro e veseiro neste tipo de comportamento. Justifica sempre as arbitrariedades e as violências de autoridades, especialmente as praticadas durante a ditadura militar, admitindo até mesmo a tortura. Temos a impressão que se algum dia este deputado tivesse em suas mãos o poder, o primeiro ato a ser praticado por ele seria mandar prender todos os gays e confinar os negros em guetos, como acontecia no regime racista e intolerante da África do Sul, em tempos passados. O líder Nelson Mandela, há muito, teria sido fuzilado ou enforcado, para servir de exemplo para a negrada, que não queria mais ser escrava da minoria branca.

Embora sejamos totalmente contrários às posições do parlamentar, entendemos que ele deve permanecer na Câmara dos Deputados, uma vez que ele foi eleito por uma pequena parcela de eleitores, vale dizer, ele tem votos e eleitores que concordam com suas ideias. Como não somos intolerantes, achamos que seu mandato deve ser preservado, até mesmo para que ele seja contestado todas as vezes em que falar e defender as posições preconceituosas como as que foram objeto de sua entrevista na televisão com a cantora Preta Gil.

Aliás, a repercussão negativa de sua entrevista, em todos os segmentos da sociedade brasileira, foi tamanha, que ele se viu forçado fazer novas declarações e emitir notas, dizendo que foi mal interpretado. Mas, na verdade, não houve nada de má interpretação, bastando ouvir a gravação para se perceber claramente as declarações ofensivas às minorias gays e negras.






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