Amigos, eu não sei ao certo quem é o autor da expressão “Aperta pra lá”, que caiu no linguajar do povo recentemente, mas sei que foi o famoso Tobias quem a lançou na praça. Acabou virando inspiração para que abrissem um barzinho/forró com o nome de “Aperta pra Ká”, modificada, a expressão, com muita propriedade para ser nome de um lugar onde se dança agarradinho, não é não? Pois é. Se eu não me engano, pertenceu a um dos filhos do Pedro Dias Moreira (o Wandir); ele tem umas ideias interessantes.
Mas não é sobre isso que eu queria falar hoje. Eu quero falar é do trânsito aqui da cidade. Melhorou muito, depois que se fez aquela modificação recente, notadamente a proibição de se descer a Ladeira Prof. João Marcelino, a de descer a rua da Várzea (Cel. Antonio Pedro) mesmo que, em modificações deste tipo, haja reclamações e haja aplausos, tudo pelo mesmo motivo. É engraçado: para uns, que levaram vantagem, a modificação foi boa, então se aplaude; para outros, ela foi ruim, então se reclama e condena, e é assim que o povo é, não adianta. Ainda nos faltam as centenas e milhares de anos das ruas de Londres, de Paris, de Roma... Falta a nós, ainda (pobre de nós, colonos, que só tivemos uma Universidade no Brasil em 1928, quando Córdoba, ali na Argentina, já tinha a sua em 1613!... Somos recém-saídos de uma salada linguística formada por tupi-guarani, quimbundo, português e, depois de 1808, por imigrantes do mundo inteiro...), mas eu dizia que nos falta ainda a experiência milenar que têm outros povos. Na verdade, nós não tivemos nem guerra... Falta-nos vivência, que vivência importa muito para o saber. Por isso é que o nosso povo é ainda assim meio bobo. Já observaram que somos meio infantis? Estamos adolescendo ainda.
Mas, voltemos ao trânsito. O pessoal fica assustado com a quantidade de carros na rua. Principalmente os mais velhos, que não muito longe assim, podiam contar nos dedos os carros de passeio que existiam em Rio Pomba, contar os caminhões. A maioria era táxi, que a gente chamava de carro de praça (ninguém falava táxi): Izidro, Iponino, Lologe, Beijo Gaudereto, Geraldo Clemente... Eta memória, está faltando... Ah, deixa.
O fato é que as modificações introduzidas pelo prefeito Macedo deram resultado muito bom. Só não vê quem não quer ver. Porém, chegamos à conclusão de que apenas melhoramos. Com o desenho das ruas de nossa cidade não dá para transitar tanto carro ao mesmo tempo. Se dobrássemos o número de ruas, talvez nem assim resolvêssemos, porque todos os dias emplacam-se mais carros.
Mas antes que me esqueça, deixe-me testemunhar aqui: quando fizeram as tais modificações que eu disse, notei que os motoristas estavam mais calmos e não mais estavam xingando uns aos outros. Isto foi um sinal claro da necessidade de se fazer o que se fez.
Porém, temos um problema sério a resolver. Tentei até entrar no Denatran pela internet, mas desisti; afinal de contas, estou apenas levantando a lebre, não serei eu quem irá atirar, não cabe a mim. O problema sério é que, mais hoje mais amanhã vamos ter carro atropelando ciclista, principalmente na Av. Dr. José Neves. Eis aqui a crônica do desastre anunciado. Aquela rua não é larga o bastante para caberem: um carro que fica estacionado, outro carro subindo avenida e outro descendo, e aí vem o perigo: um, dois e até três ciclistas pareados (eles vão conversando tranquilamente, pareados) e os motoristas ficam sem saber como fazer. É aflitivo! Psicologicamente é fácil de entender. O ciclista para o carro é como um menino para um homem feito: se for o caso de se medirem forças, claro que... Ora! Qualquer um ao volante fica nervoso com ciclista que fica dançando com a bicicleta. Ultrapassar um ciclista na citada avenida e não encostar nele e nem no outro carro que vem ao nosso encontro, além do outro estacionado, meu amigo, é coisa de malabarista. Já vou logo avisando: se infelizmente acontecer este acidente, não será tarefa fácil fazer a ocorrência policial com requisitos inequívocos de justiça e certeza; para o carro que vai ultrapassar, não tem tempo nem espaço para sair do ciclista e evitar o impacto. E todo mundo sabe que ninguém se equilibra em cima de uma bicicleta sem se valer do próprio ziguezague para manter-se aprumado. O cara dança mesmo e, pior, o motorista que o está ultrapassando, às vezes está passando por outro que vem em sentido contrário, e, logicamente, conforme a situação, terá que escolher: ou bate no carro que vem ao seu encontro ou pega o ciclista, ou os ciclistas (andam lado a lado conversando), se não conseguir frear a tempo. Onde você acha que o motorista vai bater? Não teria um jeito de se educarem os ciclistas? Ou multarem?
Agora, a última parte: a rua Padre Manoel, a rua onde eu moro, a rua que leva o nome do fundador da cidade, a rua que, de tão importante, ainda não foi asfaltada e não será nunca, se Deus quiser, pois asfalto esquenta muito. Mas olhe o trânsito da minha rua. Passe aqui e olhe. Aqui está pior do que a avenida Dr. José Neves. Aqui, meus amigos rio-pombenses ausentes, estaciona-se de um lado, do outro lado também, e os carros sobem e descem, mais motos, bicicletas, carroças... Nos últimos dois anos, eu reparei, colocaram faixas nesta rua, de lado a lado, bem legível: “Proibido estacionar depois das 20h”. Pois já há dois anos consecutivos os dois lados da rua ficam lotados de carros e ninguém faz nada. Acho que as autoridades não ficam bem neste filme. E agora, agora sim, é a minha vez: Eu estou praticamente impedido de sair da minha garagem. Um carro estacionado do lado direito da minha saída, que não me deixa ver nada; outro estacionado à esquerda da minha saída, que também não me deixa ver se vem carro subindo nem descendo; e outro estacionado bem em frente à saída, do outro lado da rua (muitas vezes um caminhão enorme), que não me deixa manobrar. Eu não tenho como botar o bico do carro no meio da rua para enxergar. Como sair? É preciso marcar com tinta a rua em frente à minha garagem, para que não me espremam. Aperta pra lá, pô! E isto é defesa prévia, viu? Se bater...
No mais, desculpem-me pelo mau jeito, porque não sou jornalista e nem crítico de administração alguma, sou cronista e olhe lá, apenas com o humor cáustico de quem está morando na rua Padre Manoel. Até quando?