Como se lê no Gênesis, Deus criou o mundo em 6 dias, descansando no sétimo dia. Contemplou a sua obra e achou que tudo estava muito bem feito. Nossos primeiros pais, decaindo da graça de Deus, deviam agora ganhar o seu sustento com o trabalho, com o suor do próprio rosto, sujeitos às intempéries, às tarefas braçais. A sua descendência espalhou-se pela região, e, mais uma vez, desobediente à vontade divina, houve o duro castigo do dilúvio, onde pereceram centenas de milhares de pessoas e animais, salvando-se Noé, seus descendentes e os animais que levara para a barca. Cessados os efeitos do dilúvio, Noé, sua família e os animais retornaram à terra firme, e a terra repovoou-se.
O homem se espalhou por quase toda a superfície da terra, fazendo progressos em todas as áreas, na agricultura, na indústria, no comércio, nos serviços, na medicina, nas atividades científicas e em todos os campos em que pôde atuar.
Em sua ânsia de prosperidade, de hedonismo, de poder, lançou-se na exploração desenfreada dos recursos naturais, incluindo as florestas, os minerais de todo tipo, as águas, a criação de animais de variadas espécies.
Ele fez grandes progressos na ciência, na tecnologia, nas comunicações, nas artes, mas não opôs limites à sua intervenção na natureza, tão bela, tão harmoniosa, mas que não perdoa os males contra ela perpetrados. Perfurou a crosta terrestre, extraindo carvão, petróleo e outros minerais, alguns na produção de energia altamente poluente, com a emissão de dióxido de carbono ou gás carbônico, com a ocorrência do chamado efeito estufa, e aquecimento da temperatura global, com o derretimento de geleiras (maior reserva de água doce da terra), elevação da água dos oceanos, mudanças bruscas na temperatura e ocorrência de fenômenos de magnitude jamais vista, ora chuvas torrenciais numa região, ora seca e incêndios incontroláveis em outra região, ciclones e tufões devastadores.
No momento, vemos os efeitos terríveis da energia nuclear no Japão, após a ocorrência do tsunami devastador, com milhões de pessoas afetadas pela radioatividade, proibido o uso da água encanada.
O uso de outras fontes de energia parece bem mais aconselhável, como a hidrelétrica, a eólica, a solar, respeitados os impactos ambientais.
Destroem-se as florestas, contamina-se o solo e o subsolo, alcançados os lençóis freáticos com o uso de pesticidas, com os lixões (e o lixo é um dos problemas mais sérios atualmente), ferem a terra com grande movimentação de máquinas, com grande volume deslocado, provocando desabamentos, soterramentos, assoreamento dos cursos d’água.
“Pecadores que somos, Senhor, não respeitamos a vossa obra, e o que era para ser garantia da vida, está se tornando ameaça. A beleza está sendo mudada em devastação, e a morte mostra a sua presença no nosso planeta. O homem já não mais contempla a vossa face, Senhor, e torna-se o maior inimigo de si mesmo. Senhor, mesmo no último instante de vida de um homem, vós o salvastes, ainda na cruz, quando ele acreditou e apelou pela vossa misericórdia. Ainda há tempo de pensar no mal que praticamos e ainda há tempo para a conversão. Que o vosso Santo Espírito penetre no íntimo de nossos corações e que nos convertamos, numa mudança de atitudes concretas, enquanto há tempo. Misericórdia, Senhor!”
Rio Pomba, março de 2011