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Cartas Brasilienses
Postada por:  Roberto Nogueira,  em  18/05/2011 às 14h51
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Até quarta-feira...
Este ano não vai ser igual àquele que passou.

18/05/2011 às 14h51

Este ano não vai ser igual àquele que passou. Eu não brinquei... você também não brincou. Quando todos já estavam cansados de pular e cantar, entra a banda com essa marchinha, lúdica, primeira memória afetiva de muitos que nostalgicamente resgatam acordados os carnavais da década de 1960. Nostalgia não tem, no caso, nenhuma conotação negativa, nem significa desprazer e desgosto com os carnavais atuais. Nem reflete o desejo de voltar ao tempo passado. É apenas a percepção de bons momentos de nossas vidas. È sempre bom ter momentos felizes para nostalgicamente lembrar.

           Aquela fantasia que eu comprei ficou guardada, e a sua também, ficou pendurada. Nesse diálogo (Ou seria monólogo?) ele ou ela relembra o desencontro no carnaval anterior que impediu a ambos de usar as fantasias e brincar juntos. Ficaram juntos, certamente, em casa ou em qualquer lugar, mas por alguma razão as fantasias ficaram penduradas. Um ano depois chegaram a um acordo aparentemente pacificador: Mas este ano, tá combinado, nós vamos brincar separados.

            Prevendo alguma crise eles fecharam bem o acordo. Se acaso o meu bloco encontrar o seu, não tem problema, ninguém morreu. São três dias de folia e brincadeira, você pra lá e eu pra cá, até quarta-feira.

            O Zé Kéti, mestre imortal da canção brasileira, autor de sambas e marchas belíssimos, em pleno carnaval revê sua Colombina... Foi bom te ver outra vez, tá fazendo um ano, foi no carnaval que passou. Naquele tempo as pessoas se encontravam no carnaval, relembravam carinhos e carícias, tudo muito romântico, eu sou aquele Pierrô que te abraçou, que te beijou, meu amor. Os beijos eram inesquecíveis, posto que raros, pais e mães no mesmo Salão, atentos às filhas, para protegê-las da ameaça de algum sorrateiro Pierrô que sussurrasse ao ouvido da inocente Colombina... a mesma máscara negra que esconde teu rosto, eu quero matar a saudade, vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval.

            Não aspirava comparações, mas é inevitável vir à cabeça o carnaval baiano, beijos esquecíveis, descartáveis, fugazes, posto que elementos de uma estranha disputa de vulgaridade, engrenagens de uma linha de produção que não se efetiva. Ah! se esses jovens de todos os sexos soubessem o poder do beijo, a expectativa desde a troca de tímidos olhares até o concreto momento em que os lábios se encontram para selar, eternamente enquanto durar, o encontro de gêmeas almas...

            E as pastorinhas, pra consolo da lua, vão cantando na rua, lindos versos de amor, pelo menos até quarta-feira. 




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