Em votação-relâmpago, por meio de um decreto legislativo, que não precisa da sanção presidencial, os congressistas (senadores e deputados), aprovaram, em causa própria, reajuste exorbitante dos próprios salários, em mais uma demonstração de total desconexão com o sofrido contribuinte brasileiro.
Na verdade, os congressistas se autoconcederam um aumento de 62%, contra uma inflação de 20%, do período de abril/2007 até o presente momento, quando aconteceu o último reajuste, sabendo-se, como se sabe, que cada um deles recebe atualmente R$ 16.500,00, somente de salários, passando para R$ 26.000,00 após o aumento, a partir de fevereiro de 2011. O fato, como não poderia deixar de acontecer, provocou justa indignação.
Acontece que deputados e senadores não gastam dinheiro com gasolina, aluguel de carros e passagens aéreas. Também não gastam com telefones, correios, internet e telégrafos. Uma verba extra, de aproximadamente R$ 30.000,00, cuida dessas despesas. Deputado não paga aluguel, uma vez que se não quiser morar no apartamento funcional pelos dois ou três dias por semana que passa em Brasília, receberá a verba mensal de R$ 3.000,00 de auxílio-moradia.
É certo ainda que deputados e senadores têm direito a assinatura anual de 5 jornais e revistas, podem utilizar os serviços gráficos da Câmara, imprimir exemplares de seus trabalhos e têm ainda à sua disposição uma verba mensal de R$ 60.000,00, denominada “verba de gabinete”, destinada à contratação de assessores, em Brasília ou em seus estados de origem.
Efetivamente, e sem demagogia, todos concordam em que os salários do chefe do poder executivo e dos ministros estavam defasados, em razão das atribuições e responsabilidades que os cargos envolvem, mas isso não justifica o aumento imoral patrocinado pelos congressistas.
Além disso, os líderes, os vice-líderes, presidentes e vice-presidentes de comissões recebem um auxílio extra de R$ 1.200,00 mensais, o que eleva a um patamar de cerca de R$ 140.000,00 mensais o custo de cada parlamentar para o contribuinte brasileiro.
O salário tão generoso, recheado de benesses e penduricalhos, provocou no deputado Tiririca o seguinte comentário, ao chegar ao Congresso: “cheguei em um bom dia, dei sorte. Acho o reajuste salarial para os congressistas bacana, acho legal. Estou me sentindo como se estivesse em casa. Não vou decepcionar os meus eleitores”(Folha de São Paulo, 16.12.2010).
Não votei em Tiririca, mas, se tivesse votado, ficaria profundamente decepcionado com suas primeiras manifestações no Congresso.
Devemos destacar que o escandaloso aumento se soma a uma cultura corporativista dos parlamentares, revelando um profundo descaso pelo dinheiro público, isto sem falar no efeito cascata para os legislativos estaduais e municipais, estimados em alguns bilhões de reais anuais.
O jornal “Folha de São Paulo”, em levantamento recente, revelou que o parlamentar brasileiro (senadores e deputados) custa mais caro do que os colegas de países desenvolvidos e do primeiro mundo, tais como, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Japão e Itália.
Meus caros leitores, este comportamento imoral dos congressistas tem um nome: trata-se de um ato revestido de imensa desfaçatez e descaso pela sociedade que com enormes sacrifícios paga os seus salários.