O Brasil vivenciou meses de tensão e ansiedade com a turbulenta e desafiadora campanha presidencial. Os ataques e contra-ataques findaram-se e o revanchismo acabou.
É chegada a hora de os eleitos assumirem-se como estadistas e os parlamentares erguerem a cabeça e partirem para a união e concentrarem o colorido de seus partidos nas cores verde, azul, branco e amarelo que representam a Ordem e o Progresso de nossa Nação.
A revista Veja publicou, recentemente, na Carta ao Leitor, o seu ponto de vista e o retrospecto do segundo turno da eleição, de onde extraímos a seguinte síntese:
“A petista Dilma Rousseff ganhou do tucano José Serra na proporção de 56% a 44%. Ocorreu o que era previsível numa democracia: venceu o candidato que representava a continuação de um governo bem avaliado. O Brasil que elegeu Dilma mostrou sua satisfação com a política econômica que resultou no aumento de renda, do número de empregos formais, do volume de crédito ao consumidor e na diminuição da pobreza, por meio de programas assistenciais”.
Quanto aos 44 milhões de brasileiros que negaram o seu apoio à petista e preferiram o tucano, tiveram da revista Veja a avaliação: “Não se pode afirmar que quase metade do eleitorado não se tenha beneficiado da bonança econômica. Inclusive porque, nessa porção, a maioria é composta de gente mais instruída e com melhor nível de renda”. A conclusão pertinente é que, mesmo reconhecendo o progresso do país durante o mandato de Lula, eles votaram contra por discordarem de algumas políticas e procedimentos do governo petista.
A par do preconceito latente que esta afirmação contém “quem votou em Serra seria gente mais instruída e com melhor nível de renda”, merece destaque a tese da necessidade de, uma vez encerrado o pleito, todos devem se unir a favor do Brasil e seu povo.
Eventuais ações negativas do governo Lula devem e podem ser corrigidas pela nova presidente eleita, cuja ideologia política e coloração partidária não impedem de ela firmar um compromisso de responsabilidade e austeridade para um Brasil ainda maior. No primeiro discurso após sua vitória ela apresentou suas boas intenções em dissipar as rivalidades estendendo as mãos à oposição, sendo enfática em valorizar a democracia e zelar pela liberdade de imprensa. Não se poderia esperar outro posicionamento dela, cujo histórico em defesa da liberdade, que lhe custou prisão e tortura, gerou uma afirmação que deve ser ressaltada: “Prefiro o barulho da imprensa livre, que o silêncio das ditaduras”.
O povo brasileiro espera que a primeira mulher a assumir a presidência da república, cumpra com eficiência o mandato democraticamente conquistado. E que governe a Nação segundo o seu próprio perfil, sem interferências externas. Que seu rumo seja certo e o caminho seguro. Sua responsabilidade é grande, sua condição de mulher impõe cobranças adicionais, e o Brasil – não nos esqueçamos – caminha para ser a quinta maior economia mundial.