O mundo está em alerta com a geral poluição atmosférica e o preocupante aquecimento global, este sendo o tema mais abordado pelas entidades não governamentais, órgãos públicos e demais setores da sociedade, desde a divulgação, no ano passado, do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja sigla em inglês é IPCC.
As pesquisas divulgadas por cientistas nunca foram tão enfáticas ao afirmar que o aquecimento global já é uma realidade e seus efeitos já podem ser sentidos por todo o planeta. O gás carbônico ou CO2 é o resultado da queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão), e é emitido principalmente por indústrias, automóveis e pela queima de florestas. Por isso, são tão preocupantes os altos volumes de emissão do CO2 pelo Brasil que é o 19º país colocado na lista dos emissores de gás carbônico. Ao mesmo tempo ainda se tem a esperança garantida pela Amazônia, porque são as árvores as armas mais poderosas que temos para neutralizar os efeitos do CO2. “Quanto mais verde o planeta, menor o efeito estufa”. As projeções feitas por especialistas identificam mudanças iminentes para quase todo o solo brasileiro. A temperatura média no país, em 2100, pode chegar a 28,9 graus (no cenário mais pessimista) ou 26,3 graus, se as emissões de CO2 diminuírem.
O Brasil tem participação ativa no cenário de preservação ambiental, e tem o dever de abraçar a causa pelo controle do desmatamento de florestas em defesa da Amazônia, o nosso maior desafio em defesa da vida. O simples controle do desmatamento que acontece na floresta brasileira seria um passo enorme. O mais recente estudo do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – sobre o desmatamento da Amazônia responsabiliza o estado de Mato Grosso por mais de 60% das ocorrências, revelou o novo titular do Meio Ambiente Carlos Minc.
Independentemente do estágio econômico, todos os países precisam acertar os passos com o equilíbrio da natureza, impedindo as ações negativas: o aumento da incidência de doenças relacionadas as extremas ocorrências climáticas; impactos na agricultura; aumento na freqüência e extensão de incêndios, o que gera perdas florestais; desmatamentos; erosão costeira; lixos nas ruas e bueiros; maior vulnerabilidade ou extinção de espécies ameaçadas; diminuição da qualidade de recursos hídricos; e poluição industrial.
Ao avaliarem o problema de poluição ambiental e detectarem oportunidades e riscos para o Brasil, os especialistas do IPCC sugeriram: “No caso brasileiro, dadas as vantagens competitivas na oferta de combustíveis alternativos, o momento revela pelo menos duas janelas de oportunidades – o potencial do mercado de carbono e a produção de energia ‘limpa’ e renovável”. A primeira diz respeito ao mercado de créditos de emissões de carbono que poderá chegar a US$ 10 bilhões por ano em 2010 e no qual o Brasil poderá ter uma participação de 10%, segundo estimativas do Banco Mundial reproduzidas no documento. A segunda oportunidade, reconhecida mundialmente, é a produção de biocombustíveis. O país tem capacidade, de plantio e tecnológica, para assumir destacada posição no mundo. Ao abordar os riscos para o Brasil, o estudo ressalta a necessidade de novos avanços da ciência para podermos detectar de forma mais exata, os contornos dos impactos causados pelo aquecimento.
Vale lembrar que a data de 5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente, é oportuna para uma reflexão e estudos na busca de mobilizações e soluções para os problemas que causam danos ambientais, cobrando melhorias dos órgãos responsáveis com ações combativas e de desenvolvimento de estudos para o aprimoramento e conscientização do cidadão.