Os índios que aqui viviam foram sendo catequizados por Padre Manoel de Jesus Maria, que aqui chegou com essa missão, trazendo também índios vindos de Muriaé. Os desbravadores da mata vieram da região de Pedro Leopoldo e de onde hoje é a capital Belo Horizonte. Eles faziam parte das entradas e bandeiras para desbravar as “Áreas proibidas dos Sertões do Leste” e vinham plantando café. Em nossa região, houve um grande desenvolvimento através do plantio do café, tanto econômico e populacional quanto cultural. Muitos desbravadores voltaram para suas terras de origem; outros, porém, encantaram-se com a beleza do lugar e das índias e acabaram ficando por aqui. Também por causa do café, foram trazidos por volta de 1883 mais ou menos seis mil escravos para trabalhar nas fazendas de lavoura. Muitos foram os escravos beneficiados com a Lei do Ventre Livre e houve festa aqui, quando da Abolição da Escravatura.
Com a Abolição, vieram para cá também os italianos, para trabalharem nas lavouras de café; muitos deles trabalhadores autônomos e trouxeram vários serviços que não havia na cidade. Os italianos vieram por causa da fome que assolava a Itália, não unificada, dividida em várias regiões. Tinham como objetivo uma vida nova e a maioria ficou rica. Aqui chegaram na grande imigração italiana de 1896 a 1910, em grandes levas, para as hospedarias dos imigrantes incentivadas e mantidas pelo governo. Na Zona da Mata, a hospedaria ficava em Juiz de Fora (Hospedaria Horta Barbosa). Os fazendeiros iam lá escolher as famílias que queriam para trabalhar de graça, ou quase. Vieram também dentistas, médicos do sul da Itália (dentre eles o maior médico da Zona da Mata, dr. Gravino Fada). Estiveram em nosso município mais ou menos 400 famílias italianas, que tinham como costumes o cultivo da uva e fabricação de vinhos, influenciaram a comida com o macarrão, a pizza, hortaliças, o tomate e a polenta. Muitos contribuíram na cultura de nossa cidade através de profissionais especializados na construção civil, notadamente na arte de gesso, como Silvano Marini e seu filho Quirico Marini (que além de casas residenciais, foram construtores da Igreja São Manoel), além de outros que marcaram a influência italiana nas construções do Forum, da praça central (Dr. Último de Carvalho), em domicílios e casas comerciais. Tivemos ainda outros imigrantes: portugueses, austríacos, franceses, japoneses, espanhóis e turcos, porém, em menor escala, e poucos são os seus descendentes que, nos dias atuais, ainda residem em nossa cidade. Os relacionamentos com os indígenas deram-se mais com as índias, que, como dizem aqui, eram “pegas no laço”; eram mais dadas à união com os brancos ou negros. Os índios dificilmente ou quase nunca se achegavam às mulheres brancas ou negras; Italianos e portugueses também se uniram, mas muitas vezes a contragosto das famílias, pois os portugueses eram muito orgulhosos e achavam que os italianos que aqui estavam eram inferiores a eles. Já os italianos eram alegres, mas muito esquentados e brigões. Foi assim aumentando a população. Os italianos moravam na região do Baixo; os portugueses e italianos autônomos, no centro da vila, bem próximos à Matriz e à entrada e saída da cidade. Já os negros, índios e seus descendentes moravam no morro da Igreja do Rosário e imediações, bem como na região chamada “Gordo”.
Situação de Rio Pomba em tempos remotos
· Economia
Com o café, veio o progresso para a cidade, que enriqueceu e chegou a ter 60.000 habitantes. Havia uma casa onde é hoje o bairro da Estação, que abrigava 80 mulheres que trabalhavam nas lavouras de café. As lavouras eram tantas que se estendiam até bem próximo a Juiz de Fora, e a linha férrea que aqui existiu foi feita para escoamento do mesmo. O café foi o responsável pela abertura das rodovias. Tivemos aqui vários engenhos de café e máquinas para seu beneficiamento. Também grandes fazendas que contavam com considerável número de escravos e, posteriormente, de imigrantes. Em 1880, começaram a surgir aqui as indústrias de pequeno porte (aguardente, café, arroz). A Usina Açucareira ficava onde é hoje o Cartório de Registro Civil, no América. Em 1882, surgiu a imprensa com o jornal “O Bocayú”, sob direção de Jorge Rodrigues do Coura. Foi o terceiro jornal que circulou na Zona da Mata. A partir daí, surgiram vários jornais (chegamos a ter sete jornais ao mesmo tempo: Correio do Pomba, A Tribuna, O Pombense, A Gazeta, A Lucta, O Progressista, O IMPARCIAL, dentre outros), visto que não havia rádio nem televisão, o pessoal rebatia as notícias com jornal. Haviam também os jornais humorísticos: A Força, Ar..Onda, O Prego, O Peru, A Farpa, O Jeca, O Tuim, entre outros. O jornal que temos até hoje é O IMPARCIAL, que foi fundado em 1896. A sua primeira máquina impressora foi um prélo manual muito antigo, que demandava duas pessoas para a tiragem de uma página do jornal. Para conseguir a tiragem de um exemplar completo – 4 páginas – levava-se meia hora. O IMPARCIAL foi fundado por Francisco Vieira de Siqueira, tendo como colaboradores seus filhos Agenor Assis Vieira e José de Assis Vieira, o qual deu continuidade à missão jornalística durante 43 anos. Desde 1976 é mantido por sua filha Carmen Lúcia Marini Vieira Júlio, prosseguindo a tão grandiosa obra de sua família. Os jornais foram de grande importância na divulgação dos produtos e do comércio local, o que levou o nome de nossa cidade para vários recantos de nosso país. Em 01/07/1886, foi inaugurada a Estrada de Ferro Leopoldina, construída com mão-de-obra negra e italiana. Ela ligava Rio Pomba a Guarani e, em sua inauguração, contou com a presença do Imperador do Brasil, D. Pedro II. Em 1888, tínhamos o Bonde da Companhia Ferro-Carril Pombense, que era do industrial José Borges dos Reis e transitava pelas vias principais da cidade. Era uma linha de bonde puxada a burro, que ficava entre a Estação e o Baixio. Muitas vezes, era preciso colocá-lo nos trilhos manualmente. Quando o preço do café caiu, a maioria dos habitantes foi embora e a cidade quase faliu. A sorte é que já existiam pequenas indústrias e o fumo e o cigarro de palha já eram bem famosos e de renome até no exterior. Nossa luz era de lampião a gás e haviam pessoas encarregadas de acendê-las e apagá-las todos os dias. Em 1918 foi inaugurada a luz elétrica pela Companhia Pombense de Eletricidade, dirigida pelo Cel. José Mendonça dos Reis e Adriano Marques Saraiva. Foi implantada juntando-se dinheiro para colocar luz em 100 casas, mas, como apenas 50 pagaram, não teve recurso para ir adiante e funcionou ainda por algum tempo, sendo pois vendida para a Cataguazes-Leopoldina, porque houve também muitas rixas políticas. A indústria do fumo veio reforçar o desenvolvimento de nossa cidade e tivemos, dentre muitas outras, as indústrias de fumo: “Real”, “Estrela”, “Águia”, “Esterlina”, “Brasil”, “Rio Pomba”, “Tigre”, Borboleta”, “Poço Fundo”...
Essas empresas impulsionaram a vinda de indústrias de outros setores:
• Em 1929, a Fábrica de Manteiga e Gelo “Uirapuru”, que chegou a produzir tão grande quantidade de manteiga a ponto de ser exportada para vários estados e cidades vizinhas.
• A Cooperativa Central dos Produtores de Leite “Estrela Branca”, filial com sede em Juiz de Fora.
• Em 1944, a Fábrica de Tecidos São Roque, que foi uma grande indústria e impulsionou extraordinariamente nossa cidade, empregando cerca de 340 operários, de ambos os sexos, e trazendo novas famílias para aqui residirem.
• Em 1947, a Fábrica de Vassouras Inconfidência.
• Em 1950, a Fábrica de Doces e Laticínios Boreal, que veio valorizar a produção local do leite, do queijo e dos doces tão tradicionais.
• A Usina Santa Terezinha, remanescente da antiga Cooperativa dos Produtores de Leite Ltda.
• De 1950 a 1969, a Fábrica de Sombrinhas Kutuka.
• O Pastifício Santa Lúcia.
• A Torrefação e Moagem de Cafés Finos Bocaiú.
• As Serrarias, Movelarias, Carpintarias e Madeiras para construção.
• As Destilarias de Aguardentes, fábricas rurais de rapaduras.
• O Engenho de Café São Tomé.
• As Olarias, alfaiatarias, sapatarias, selarias, panificações, fábricas de doces e queijos tipo “Minas”.
• As Granjas e suinoculturas.
O comércio tinha fama de ser o mais sólido da Zona da Mata mineira e de fato o era, pois jamais houve caso de comerciante que pedisse concordata. Haviam várias casas de comércio com tecidos e várias outras mercadorias, armazéns e mercearias, comércio especializado (beneficiamento de café, agência Ford com automóveis e acessórios, agência da Chevrolet e Oakland, casa de artigos religiosos e domésticos, distribuidora de gás engarrafado, lojas com eletrodomésticos e utensílios para o lar), farmácias, hotéis, bares e cafés e até postos de gasolina. Existiam também diversos consultórios e escritórios dos profissionais liberais. A economia e, consequentemente, o desenvolvimento de nossa cidade sofreu sérios abalos por causa da emancipação política de vários municípios que lhe eram vinculados. Devido também à descontrolada ascensão do dinheiro e dos salários, muitas firmas fecharam ou voltaram para sua cidade de origem.
Saúde
Desde a época do antigo matadouro municipal, tínhamos um médico sanitarista para vigiar o abate dos animais e as condições higiênicas do local. A população era assistida por médicos em suas próprias casas e que visitavam os doentes que não podiam locomover-se. Várias epidemias se alastraram em nossa cidade, dentre elas a gripe espanhola e a varíola, matando muita gente.
Em 1922, começaram a realizar as obras para fundar o hospital tão sonhado pela população riopombense, e no dia 08/06/1939 ele foi inaugurado com a denominação de Hospital São Vicente de Paulo. A instituição filantrópica contava com o auxílio dos donativos oferecidos pela sociedade e com a ajuda das irmãs vicentinas, enfermeiras e clínicos que sempre deram assistência médica, repletos de espírito caritativo sem limites. Foi mais tarde reformulado com novas instalações e equipamentos para melhor atender a população. Instalou-se depois em anexo a Maternidade Maria Reis Borges, para dar assistência às parturientes sem recursos.
Fontes:
. Esta matéria sintetizada pela redação foi baseada na pesquisa de trabalho realizada pelas professoras municipais, diplomadas em 2006 no Curso Superior de Licenciatura em Educação Básica da Universidade Federal de Ouro Preto.
. Arquivos de O IMPARCIAL
. Acervo do Museu Histórico de Rio Pomba
. Livro "O Município de Rio Pomba" (
autoria de Sinval Santiago)
. Livro "Cem Anos-Luz" (
autoria de Roberto Nogueira Ferreira)