Ao serem deflagrados pela Polícia Federal, através da Operação Caixa de Pandora, o governador José Roberto Arruda (DEM) e Durval Barbosa Rodrigues, secretário de Relações Institucionais do GDF, são os alvos principais do esquema de arrecadação de propina no governo do Distrito Federal (GDF) para distribuição a integrantes da base aliada na Câmara Legislativa. O inquérito aponta o governador como “beneficiário e responsável pelos desvios, e cita gravações de áudio e vídeo nas quais ele recebe e detalha a distribuição da verba ilegal”. Segundo o inquérito, há indícios da prática dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraudes de licitação e crime eleitoral. Entende-se que a corrupção no governo Arruda destruiu a integridade das instituições públicas no Distrito Federal; e mais, os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
No ano de 2001 assistimos ao escândalo da violação do painel eletrônico do Senado Federal, em que o próprio Arruda, como senador esteve envolvido, e apesar de ter relutado, se viu forçado a renunciar ao cargo, dadas as evidências da fraude, a ter que enfrentar o processo de cassação por quebra de decoro parlamentar. Aquela ocasião teria sido o momento propício para que os eleitores não lhe dessem mais o seu voto de confiança, o que não aconteceu. O parlamentar teve mais uma chance de conquistar “o seu lugar ao sol” no 1º escalão como governador do DF. Será que depois desse episódio o povo ficará mais alerta? Anotem bem este nome que deve ser banido da vida pública.
Depois do “mensalão do Governo Federal”, volta à tona o noticiário do “mensalão tucano” na grande imprensa: “O senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), virou réu no Supremo Tribunal Federal e responderá penalmente por suposta participação no ‘valerioduto mineiro’, esquema de desvio de dinheiro público em favor de sua campanha de reeleição no Estado, em 1998”. Embora o senador reafirme sua inocência com as palavras: “Nunca houve mensalão em Minas Gerais. As questões financeiras envolvendo a campanha eleitoral de 1998 não foram de minha responsabilidade”; é hora de o eleitorado contrabalançar os acertos e desacertos dos políticos, para que haja mudança no cenário nacional.
É indispensável uma mobilização na sociedade para pressionar uma urgente reforma na legislação. Para tal, já existe um projeto popular, com 1,3 milhão de assinaturas, que tem como objetivo impedir a entrada de fichas-sujas na vida pública. É revoltante a forma que eles encontraram de se proteger por meio da impunidade parlamentar.
A descoberta desses esquemas ilegais quase às vésperas das eleições é uma motivação a mais para que o leitor não se deixe enganar. Mesmo que os autores da corrupção não sejam condenados, como as permissivas falcatruas que não abalaram o ‘todo poderoso’ Sarney na presidência do Senado, como outras de nepotismo e malversação de dinheiro público até agora sem punição, é nosso dever ir contra os desmandos e os escândalos em nosso país, fazendo cada cidadão seu julgamento pelo próprio punho na hora de votar.